My Paul in Rio.

22 jul

love isn't silly at allllllllllllll...
OMG! O shows do Paul no Rio foram em maio. Maio, gente! E cá estou eu, quase no Natal, com a cara de Paul (rá!) em falar sobre eles só agora. Eu queria tanto falar sobre os shows, mas era tanta coisa pra falar que fui deixando pra depois, depois e depois. Sempre faltava alguma coisa, mas enfim, a hora chegou!

Eu tinha cinco pra seis anos quando o Paul veio ao Rio, pra tocar no Maracanã, em 1990 e desde aquela época, quer dizer, antes, eu já amava o Paul e já queria ir para o show dele. Tenho uns flashes de ter visto esse show com meu pai na sala e dele chorando por não ter ido pro Rio. Eu meio que cresci achando que assistir qualquer show dele fosse algo muito distante e impossível.

Os shows seriam domingo e segunda, 22 e 23 de maio respectivamente, no Estádio do Engenhão, no Rio de Janeiro. Já tinha combinado com duas amigas cariocas de acamparmos pra tentar ver o nosso Paulzão, coisa linda de meu Deus, o mais perto que conseguíssemos. Elas iriam na sexta de manhã e eu iria encontrá-las na sexta a noite. Tudo certo e tudo lindo, it’s getting better all the time.

Na quarta a noite, estou jantando em casa quando recebo a ligação da Jô, toda afoita.
- Flá, viemos correndo pro Engenhão, já tem mais de dez pessoas aqui.
Peraí… QUARTA-FEIRA?

Era a primeira vez que eu ia acampar pra algum show na vida e estava esperando passar por altos perrengues. O que deveria ser um sacrifício, acabou sendo uma colônia de férias escolar. Acampamento desconfortável, frio, conhecendo gente nova de todo o canto do país e com o mesmo gosto musical, pegando sol (e calor) em cadeira de praia, trocando informações, ouvindo a passagem de som, pintando NA em folha sulfite embaixo de sol forte e sem ter certeza que a homenagem daria certo. De noite, rolavam rodas de violão, conversas na barraca vizinha, pedíamos pizza, que demoravam 3h pra chegar, muitas risadas e histórias intercaladas com entrevistas pra TV, jornal e todo o resto. Foi tudo muito divertido. Esqueci que estava no Rio de janeiro e me senti com 12 anos novamente, acampando com os coleguinhas de escola.

CadêA a pizza moAçoANn?

Paul chegou pra passagem de som no sábado, fim de tarde. Foi a primeira vez que o vi tão de pertinho, no carro, por um tempo total de um segundo. Foi lindo, sendo bem eufemista. Sem contar que ouvimos Coming Up – Que jamais pensei que ele tocaria ao vivo no show de segunda – Helen Wheels, Flaming Pie e as demais na passagem de som.

Acordei domingo, umas 9h, abri a barraca e vi uma névoa cobrindo todo o estádio. Nunca tinha visto o Rio de Janeiro cinza e frio. Logo o sol foi aparecendo e a correria pra arrumar as coisas, sair correndo pra tomar banho, se aprontar e etc. Como disse a Joana, a sensação era que os convidados estavam chegando na minha casa e eu ainda não estava pronta pra recebê-los.

As barracas tiveram que ser desmontadas as pressas porque os seguranças, que na manhã anterior nos tinham dado sinal verde, nos avisaram – EM PLENA FILA – que iam sair levando tudo, pois as barracas não poderiam ficar montadas. Sai da fila, recolhe barraca, leva pra casa, toma banho, se apronta e tudo embaixo daquele inferno sol do Rio de Janeiro.

“A lista! Cadê a lista? Tudo certo com a lista? Ok, corre. Temos que entrar de volta na grade até as 15h.”

Elisa, Bel, Jô e eu. O quarteto da barraca vermelha. Caras felizes antes de saber que correríamos a vida.

Eu, a Jô e a Bel éramos as 12ª, 13ª e 14ª da fila. Estávamos tranquilas atéééé, passarmos pelas catracas, que eram cinco (!) ao mesmo tempo. Ao entrar, vinha a maratona de São Silvestre, mas com duas rampas, uma descida, um chão escorregadio no caminho e muita gente desesperada. Uma corrida com obstáculos, muitos deles. Sem exagero, tinha que correr um trecho de 1km quase, ou seja, muuuuita gente, principalmente homens, ultrapassaram essas belas donzelas que não correm porra nenhuma nada.

Eu (atrás de branco) e a Bel (de blusa xadrez vermelha na frente) correndo a maratona depois de acampar. A cara do sofrimento.

Ficamos num lugar horrível. Muita gente, muito apertado, muito sufocante, sem comparação com o show do Morumbi, ano passado. Ficamos do lado direito, na frente do Brian e na quinta fileira. A frustração era enorme. O calor, a pressão e gente chata ao redor também.

Eu e a joana sem óculos e roucas.

O setlist foi lindo, mas não deu pra ver muita coisa. Meu pé estava torcido a semana inteira e, depois da corrida, na entrada, mal conseguia ficar de ponta de pé. A Joana não parava de chorar ao meu lado, a Bel acabou sendo afastada, enfim, uma confusão. Não queríamos reclamar, poxa, estávamos no show do nosso Paul! Só não digo que foi o pior show dos 4 que eu já vi, pela homenagem com os NA em Hey Jude. Sim, foi foda.

Pode, Arnaldo?

Ao acabar o show, devíamos estar felizes e contentes para nos prepararmos fisicamente para o show do dia seguinte, até queeee… Fomos surpreendidos novamente. Obviamente, o pessoal que iria para o show de segunda entrou na fila enquanto estávamos no show. Foi aquela confusão, pois tinham mais de 40 pessoas, de repente, na nossa frente, e que não sabiam de p. nenhuma de lista.

Pausa para mini flashback. Lembram que as barracas foram recolhidas? Pois é. De repente, todos perdidos numa noite suja, fria e sem barracas.

Depois de muita briga, palavrão e confusão, em plena saída do show do Paul, muitos dormiram em cadeiras, sem barracas e nós corremos pra casa da Bel, no Leblon, 5h da manhã, mortas e precisaríamos estar às 10h de volta ao Engenhão. Claro que não conseguimos cumprir esse horário.

Tudo que poderia acontecer, aconteceu na segunda-feira. Nos imaginem, quase 12h, numa segunda-feira normal de trabalho, na CENTRAL DO BRASIL (é, aquela do filme), esperando trem até o Engenhão! Eu só pensava: Paul, você é um grande filho-da-puta mesmo, heim?

Cheguei primeiro na fila e fui correndo esperar o carro do Paul chegar pra tentar vê-lo de pertinho novamente, me arriscando até a perder meu lugar na fila, lugar esse que eu estava guardando desde sexta e depois de ter negociado com os meliantes outros que chegaram depois e quiseram tomar o nosso lugar.

Eu não me importava com mais nada, queria vê-lo sem show, queria que ele me visse. São muitos anos de amor pelo Paul e achava que eu merecia. E vi, aqueles hazel eyes que me encantava desde a infância de pertinho e ele também me viu. Foram três segundos, ou menos, mas que valeram os três shows que eu já tinha visto até então. Não me importava com mais nada, poderia até perder meu lugar na fila, ver lá atrás, não importa. Eu vi o Paul de perto e ele me olhou. Isso valeu os quatro ingressos.


Não consegui registrar o momento, mas eu apareço de costas, debruçada na grade, de colete jeans e em semi pranto. Não dá pra explicar essa sensação. Como diz nosso Ringão: It’s hard to explain emotions. Foi por aí.

Não consegui voltar pra fila dos primeiros e fiquei com um amigo que já estava na fila mais atrás. Não conseguia mais raciocinar depois de tanto choro.

Eu não sei explicar a vocês o que aconteceu. Meu pé estava destruído, eu estava mancando desde a corrida do dia anterior e estava emocionalmente abalada – aquelas. Não sei de onde consegui tirar forças pra correr só sei que eu corri e corri no maior estilo RUN, FORREST. Eu ultrapassei mulheres e homens que estavam na minha frente. Eu não pensava, só corria.

O mais absurdo de tudo isso é que quando relaxei, não me importei com o lugar, peguei a grade. Estava eu, no melhor setlist de shows do Paul ever, na grade, interagindo com o Sir.

Uma amiga que encontrei, coincidentemente, por lá gritou pra ele e fez a bosseeteenea o coração com as mãos e ele riu e apontou pra nós. Depois disso foram mais umas três interações durante o show, rindo, gritando, apontando pro cartaz dela.


Uma das interações. Paul respondendo o nosso grito, bem fazendo a louca.

O Brian, o chefe da segurança, que é o cara que escolhe as meninas pra subirem no palco, leu o cartaz da minha amiga quando gritei: BRIAN! Ele leu, fez uma cara de “Hummm… NOT” e pegou a menina do lado. Ficamos tristes, mas o dia todo tinha sido tão lindo que eu não podia reclamar.

Quando o show acabou, percebi que não conseguia andar por causa do meu pé. Fui praticamente carregada pelo Fê, o amigo da fila. Mas tudo bem, Paul folia é isso aí. Sou muito sortuda.

Pai, muito obrigada por me apresentar esses zinhos aí.

O vídeo oficial. Eu e as meninas fugimos pra não sermos entrevistadas, mas aparecemos nos bastidores.

__________________

O Link da Globo que saímos. Eu bem TOATOA sentada na cadeirinha. A Jô, Elisa e Bel ao meu lado esquerdo. Por favor, percebam minha cara vergonha alheia de mim mesma ao final do vídeo, com o coro desafinado de Let it Be.
Até a próxima.

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