Atendimento x agência.

Eu fico puta quando falam que ser atendimento é fácil. Quem inventou isso? Eu não conheço nenhuma equipe de criação que não reclame de algum atendimento. Creio que eles acham, em termos gerais, que ser atendimento é só ctrl c + ctrl v de informação. Só isso e mais nada. E ai do atendimento ousar encaminhar um pedido interno de trabalho e não saber um detalhe ínfimo da cor do detalhe do ponto do tamanho do lado oposto da medida do alinhamento de sei lá das quantas. - Ah, não sabe isso? Desculpa, não dá pra fazer. - Nem pra adiantar alguma coisa? – Nem. Nada.
Eu juro, ser atendimento não é fácil. Tudo bem, ser qualquer atendimento é fácil sim. Pega a campanha, joga em cima da mesa e foda-se se o cliente gostar ou não. Não gostou da marca? Do layout? Quer verde limão em vez de vermelho imperial? Beleza. Anota, encaminha pra criação e foda-se. Não contesta e nem nada, só sorri, finge simpatia e ainda agradece ao cliente por ele ter feito você perder uma preciosa tarde e fazer a equipe de criação, super feliz, virar a noite pra entregar uma campanha besta do dia pro fim do dia, porque tem que estar impresso 5000 amanhã.
Qualquer atendimento pouco se importa se o cliente não gostar da campanha. Da tal campanha que o redatorzinho bateu cabeça e demorou dois dias pra entregar só o panfleto. Culpa de quem? Sua. O cliente não gostou? Culpa sua que não soube vender. Qualquer cliente gostaria da idéia, afinal porque todos eles são super bacanas, legais e moderninhos. Se não são, que eu trate de mudar a personalidade deles, oras. Incompetente.
A maioria dos clientes não são moderninhos e não fazem questão de ser. Querem vender e só. E juro, é difícil os convencermos a virarem “moderninhos” da noite pro dia. Atendimentos não são mágicos, por mais competentes que sejam.
E quando temos que apresentar uma campanha que não gostamos? Convencer alguém aprovar algo que eu própria não aprovei? Vender uma coisa que eu jamais usaria? É como um advogado defendendo o assassino (acreditem, existem campanhas que você se sente assim mesmo). Isso quando não há casos em que o cliente só aceita ser atendido por um dos sócios da agência e te tratam como estagiária.
O que a maioria do pessoal da criação, produção e mídia não entende é que somos nós que ouvimos quando o cliente está puto ou quando algo não sai do jeito como combinado. Somos nós que temos que explicar o problema e ouvir. Ouvir muito. E depois de ouvir, resolver o problema, de algum jeito.
Somos nós que agüentamos cliente ranzinza e mal-humorado. E ai de nós se pedirmos para alguém das respectivas áreas acima falar diretamente com cliente. Um absurdo. É transferir responsabilidade. O que não concordo. Mas aí, tentar convencer todo mundo disso cansa. Cada macaco no seu galho? Concordo. Mas custa tanto assim fazer além? Falar com o cliente não dói, juro, gente. E é muito importante o cliente se sentir prestigiado. Ver que toda a agência está empenhada e trabalhando pra ele. É triste o contato se limitar apenas ao atendimento. E é triste poucas pessoas terem noção disso.
Enquanto o redator fica só ali, sentadinho, no ar-condicionado e com o ar blasé contestando as alterações e gritando com olhares quando arrisco a dar algumas sugestões: “e o que você lá entende de criação?”. Eu entendo o cliente, dá pra confiar em mim?
Não sei se é só aqui em Belém que o pessoal tem essa idéia de que atendimento não tem que dar piteco de nada. Isso é outra coisa que irrita muito. Atendimento é limitado a atender o cliente e… E só. Você não sabe nada, cala a boca.
Caí por acidente nessa área. Eu era produtora e acabei tendo que percorrer esses outros caminhos e quando estava de fora, partilhava da mesma opinião. Mas, agora eu digo. Não é. Acreditem.

* Texto requentado. Escrito na época em que eu era atendimento.
** O perfil lá em cima foi atualizado.
***A Eleanor precisa de um novo layout, gente! Por favor, alguém se habilita? Heim, heim? Não custa nada, poxa.

1 Resposta até o momento »

  1. 1

    Thais Coimbra disse,

    Julho 15, 2008 @ 5:51 pm

    Hehe, você tem que entender que existe um trauma de aaaaanos com relação ao profissionalismo de certos atendimentos… Tem até um site ou um blog com vááários causos de brienfigs mal passados, não tô achando agora, mas eu vou encontrar… É hilário!
    Enfim, o fato é que muitos atendimentos não se empenham tanto em apurar exatamente o que o cliente quer e tratam os redatores e diretores de arte como empregados. Taí a razão do eterno conflito.
    Mas entendo que as interferências feitas pelo atendimento durante a criação são motivadas pelo o que o cliente quer, por mais que deixe a peça horrível… É o tal negócio, “o cliente tem sempre razão” e, dependendo da monstruosidade, você faz pra garatir seu salário no fim do mês e não inclui no portfolio, hehe.
    Formas para evitar que a peça sempre fique indo e voltando com correções chatas do cliente, lê essa história verídica:
    - E aí, criação, acabou o anúncio?
    - Acho que sim, atendimento… Vê aí.
    - Nossa, tá lindo, o cliente vai adorar… Mas… o que é esse avião aqui no canto? Não tem nada a ver com o produto do cliente!!!
    - Vai por mim, esse avião tem um propósito maior. Mostra pro cliente que agora ele aprova.

    Algum tempo depois…
    - Então, sr. Cliente, o que o senhor achou do anúncio?
    - Olha, a peça ficou ótima. Eu só mudaria uma coisa: tira esse avião daí. E pronto, aprovado.

    Moral da história: coisas sem nexo podem ajudar a aprovar uma peça, hehe
    :P

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