Duas semanas.

Havia um recado dele ali. Não era nada demais. Bobinho até, mas era um recado. Imaginar ele ali, no meu perfil do orkut me deu coisas. Jamais havia falado com ele, nunca trocado uma palavra. Nada.
Eu sabia quem ele era, claro. Mas a primeira (e segunda e terceira…) impressão nunca foi das melhores. Eu sempre o ignorava, ás vezes inconscientemente, ás vezes propositalmente mesmo. Não gostava dele e pronto. Assim, de graça sabe? Puro pré-conceito mesmo.
Ele era foda. Era a única coisa que sabia dele. Todas as pessoas que eu admirava, admiravam ele. Mas, queria acreditar que ele era um looser, por diversão.
Até que, o nomedele@email.com apareceu me adicionando no MSN. Outro susto. O que raios ele poderia querer comigo? Eu não sou legal e nunca fiz nenhum esforço pra ser simpática com ele. Pelo contrário. Muito contrário mesmo.
A mesma profissão, mesma área, alguns amigos e gostos em comum nos aproximaram bastante. De repente, em uma semana, já havíamos conversado tanto que chegávamos a sentir saudade um do outro.
Ele já não morava mais na cidade, mas havia promessa de retornar em breve. Ligações interurbanas foram o primeiro passo da aproximação. É indescritível o prazer que o simples fato de ouvir a voz de alguém te dá quando se está longe.
Chegou o dia dele voltar. Passar as férias, coisa rápida. A ânsia para se encontrar, dessa vez sem birras unilaterais, era enorme.
O vôo atrasou. Durante o dia, fiquei recebendo mensagens no celular do paradeiro. Ele ainda ia demorar.

Mal havia recebido a última mensagem, o telefone tocou, mas o da agência Era a recepcionista, pedindo pra eu comparecer a recepção. Fui até lá, bem mal-humorada. Sorte dela que eu gostava de ir lá, bater papo.
Abri a porta e lá estava ele. É, o talzinho que ainda estaria no aeroporto de Recife. Sentado, com a maior cara de satisfação, contemplando a minha, de otária. Fiquei uns dez segundos parada ali, segurando a porta com a certeza que algo assim já deve ter acontecido em alguma comédia romântica bobinha. Cadê minha música de fundo, por favor? Alguém?
Ele levantou e fui correndo beijá-lo. Assim, sem tempo pra papinho nem nada e não me importando com a presença da recepcionista chocada ou com as câmeras que davam pra sala do chefe.
Grudamos duas semanas. Logo as férias acabaram e ele teve que voltar pra a cidade onde estava. Foi o tempo certo.
Até hoje, quando chego na agência, olho pra aquela cadeira ali e lembro com saudade de um dia que deixei ser surpreendida por um looser foda. Que não tinha nada de looser e tudo de foda.

1 Resposta até o momento »

  1. 1

    Doda disse,

    Julho 1, 2008 @ 1:53 pm

    olha, conheço uma história parecida :-)

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