Arquivo para Junho, 2008

Duas semanas.

Havia um recado dele ali. Não era nada demais. Bobinho até, mas era um recado. Imaginar ele ali, no meu perfil do orkut me deu coisas. Jamais havia falado com ele, nunca trocado uma palavra. Nada.
Eu sabia quem ele era, claro. Mas a primeira (e segunda e terceira…) impressão nunca foi das melhores. Eu sempre o ignorava, ás vezes inconscientemente, ás vezes propositalmente mesmo. Não gostava dele e pronto. Assim, de graça sabe? Puro pré-conceito mesmo.
Ele era foda. Era a única coisa que sabia dele. Todas as pessoas que eu admirava, admiravam ele. Mas, queria acreditar que ele era um looser, por diversão.
Até que, o nomedele@email.com apareceu me adicionando no MSN. Outro susto. O que raios ele poderia querer comigo? Eu não sou legal e nunca fiz nenhum esforço pra ser simpática com ele. Pelo contrário. Muito contrário mesmo.
A mesma profissão, mesma área, alguns amigos e gostos em comum nos aproximaram bastante. De repente, em uma semana, já havíamos conversado tanto que chegávamos a sentir saudade um do outro.
Ele já não morava mais na cidade, mas havia promessa de retornar em breve. Ligações interurbanas foram o primeiro passo da aproximação. É indescritível o prazer que o simples fato de ouvir a voz de alguém te dá quando se está longe.
Chegou o dia dele voltar. Passar as férias, coisa rápida. A ânsia para se encontrar, dessa vez sem birras unilaterais, era enorme.
O vôo atrasou. Durante o dia, fiquei recebendo mensagens no celular do paradeiro. Ele ainda ia demorar.

Mal havia recebido a última mensagem, o telefone tocou, mas o da agência Era a recepcionista, pedindo pra eu comparecer a recepção. Fui até lá, bem mal-humorada. Sorte dela que eu gostava de ir lá, bater papo.
Abri a porta e lá estava ele. É, o talzinho que ainda estaria no aeroporto de Recife. Sentado, com a maior cara de satisfação, contemplando a minha, de otária. Fiquei uns dez segundos parada ali, segurando a porta com a certeza que algo assim já deve ter acontecido em alguma comédia romântica bobinha. Cadê minha música de fundo, por favor? Alguém?
Ele levantou e fui correndo beijá-lo. Assim, sem tempo pra papinho nem nada e não me importando com a presença da recepcionista chocada ou com as câmeras que davam pra sala do chefe.
Grudamos duas semanas. Logo as férias acabaram e ele teve que voltar pra a cidade onde estava. Foi o tempo certo.
Até hoje, quando chego na agência, olho pra aquela cadeira ali e lembro com saudade de um dia que deixei ser surpreendida por um looser foda. Que não tinha nada de looser e tudo de foda.

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Design de inutilidade.

Amigos design-ers, dia desses, achei um site bem legal de imagens, conhecidinho até, é o ffffound(isso, com 4 éfes).com. Perdi úteis horas no trabalho admirando as fotos, efeitos. Bem massa, ó! (emoticon pedindo carona). Abaixo algumas imagens mais legais, que ilustraria qualquer camisa de publicitário hype que se preze:


Eu queria um desses na minha sala. Tem versão compacta pra quarto?


Carmem rocks! \m/


- Tem desse da Hilary? Ah, poxa… Então tá, obrigada.


- You’re not my father!


Em homenagem ao meu ex-cachorro-compartilhado-com-ex-namorado fidel.


- Tô com medo disso, vóóó.



Queria dar uma camisa dessa de presente.

And last, but not least:

Vão trabalhar!!!
A propósito, dois posts no mesmo dia. Que vergonha.

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Made in Pará

Minha amiga, ex-modelo, fotógrafa, publicitária e blogueira famosa Karla Nazareth e o amigo, assessor, sobrinho do homem e aspirante a celebridade X-Pedro sem salada Loureiro, criaram o modesto (e já lotado) Blogueiros Paraenses. Uma idéia legal com direito a matéria no jornal e tudo me enchendo de orgulho dos dois, snif.
E eu, como boa amiga (mas péssima blogueira) que sou, venho fazer uma divulgaçãozinha, mas bem inha mesmo, porque a comunidade já está ‘bombando’ (para os dois, que odeiam quando eu falo isso). Pedro, só para finalizar: ‘adóóóóóóóóóóóro!’.

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Alí.

E ficaram ali. Sentados, um do lado do outro, depois de um dia inteiro curtindo apenas suas companhias. Enfrentaram kms só para estarem ali.
Não falavam nada. Inconscientemente, ficaram tentando adivinhar o que o outro estava pensando. Ambos sabiam que o simples toque do braço direito dela com o esquerdo dele não aconteceria tão cedo. Tentaram evitar, mas ambos pensaram nisso no mesmo momento. Ninguém falou nada. Não precisava.
Ela ficou olhando para os cantos roídos das unhas dele. Ele revezava olhar pra frente e pra baixo. Quando olhava pra ela, ela fingia não perceber.
O táxi chegou. Ela fingiu não ver. Ele ficou olhando fixamente para o veículo até os dois levantarem. Ele era muito mais alto do que ela.
E ficaram ali, mais uma vez, um olhando pra cara do outro e os dois querendo falar a mesma coisa. Ela não queria ir, ele não queria que ela fosse. Mas não falaram nada. Ambos liam a mente um do outro.
Se abraçaram. Os dois com cara de: - É isso. Ela entrou no táxi, rindo, fingindo estar tudo bem. Virou para ele pra dar um tchau e ele estava lá, parado ainda, com a mesma cara de “é isso” de antes, mas olhava perdido.
O táxi não esperou. Acelerou e logo foi andando, pra longe. Ela não olhou pra trás, não chorou, não sorriu. Nada. Quando deu a volta no quarteirão, pensou em parar o táxi, sair correndo até onde ele estava e dizer que não queria ir. Imaginou toda a cena. Que a missão estava incompleta, precisava ficar ali. Ela não queria voltar, sabia que se encontrar ali novamente seria difícil. Não queria perder a companhia dele. E ele lá, voltando pra casa, no fundo, talvez ficasse esperando que isso acontecesse. Olhasse pra trás com esperança de vê-la correndo, com as sacolas na mão. Pensou também, enquanto o táxi partia, em sair correndo, pedir pra parar e falar tudo o que ficou na cabeça de ambos.
Mas, tudo ficou só na imaginação. Quando deu por si, o táxi já estava parado no Extra, onde ela havia pedido. E ficou ali, sozinha, mas pensando nele. Foi quando decidiu o que realmente queria. E talvez, ele também.

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