Arquivo para Maio, 2008

A primeira noite com Amy.

Até dia desses, eu (e pelo visto, a única) não fazia idéia do que seria Amy Winehouse. Seria uma loja de lingerie, uma atriz pornô, uma vinícola (Amy’s Winehouse. Entendeu? Rá!). Até que, googleando, descobri que não se passava de uma cantora, com maquiagem ultrapassada e um penteado, um tanto, er… Enfim, resolvi baixar o cd. Ouvi uma vez e o deixei, carinhosamente, jogado em uma pasta chamada lixeira.
Até que eu, em mais uma das minhas novas manias de aposentar o abajur e ir pra cama com a tv na mtv no timer, fui dormir com com o clipe dela de fundo. Mas, como era um que nunca tinha visto (até porque, o que era Amy Winehouse mesmo?), tirei do mute e fiquei com a droga da música na minha cabeça durante dias. Será que vai ficar na cabeça de vocês também?

:)

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Watchatchá.

Ok, eu não sei bem como tudo isso começou. Se você me perguntar, bem, eu não saberei dizer exato, o fato é que eu, fazendo parte de todo o 1% da população mundial feminina, adoro japoneses. É, japoneses, sansei, nissei, mestiços… Assim como você gosta de loiras e seus amigos de ruivas, eu gosto de japoneses. Convenhamos, tem coisa mais charmosa que aqueles olhos puxados, o cabelo escorrido caindo no rosto e a risada de bobo?
Não sei como começou, voltando no tempo, acho que deu início em 95 com o Bento, guitarrista dos finados Mamonas Assassinas. Lembro do dia exato do papai chegando em casa, balançando os três ingressos para o show como cartas de pif e paf e cantando (dançando): “roda roda vira, solta a roda e vem…”
- Olhaaa, nós vamos pro show! Nós vamos pro show!
- Pai… jamais dance isso de novo, ok?
Lá estava ele no palco, com suas trancinhas rastafári, cara de nerd e com a famosa dancinha de retardado. Não sei o que tem de atrativo nas atitudes acima, mas foi amor, de verdade.
Enfim, meses depois ele e seus amigos morreram de acidente de avião. Minha primeira decepção amorosa sansei (ou nissei?).
O segundo foi er… vamos chamá-lo de Francisvaldo. Eu estava no 1º ano do colégio e ele já fazia medicina. Era bem mais velho e era guitarrista (e vocalista) da banda do meu irmão postiço. O Francisvaldo era demais. Era inteligente, bacana, sarcástico, cabelos na altura dos ombros e ainda tocava beatles pra mim. Nos falávamos madrugada adentro por telefone. Acho que eu devia ser muito legal mesmo, porque mesmo com tudo isso, ele nunca quis nada além de conversas madruguísticas comigo. Acho que me via como a irmã mais nova do amigo dele ou, devia ser meu aparelho nos dentes também. Enfim, segunda decepção amorosa.
Depois do Francisvaldo, me apaixonei platonicamente pelo… Vamos chama-lo de Reinaldo. O Reinaldo era o irmão mais novo do Francisvaldo, que como o irmão, também tocava na banda.
O Reinaldo, diferente do Francisvaldo era tímido, inteligente e de poucas palavras. Não falava quase nada, mas fazia bastante movimentos com os lábios que pareciam sorrisos. Era o oposto do Francisvaldo e isso me encantou absurdamente. Acho que devo ter trocado umas três frases completas com ele, tipo:
- Oi, tudo bom?
- Tuuudo.
- Então até mais.
- Até.
Até que ele se mudou para São Paulo, fazer medicina. Decepção nissei (ou sansei, droga, qual é a diferença?) número 3.
O quarto foi o Japinha, baterista do CPM 22. Ok, admito eu tenho um cd e um dvd do CPM 22, ok? Ora, vão dizer que vocês não têm um passado negro? Tá bom.
Com o Japinha, até rolou um envolvimento maior. Ficamos amigos de orkut, de msn, ele ligava a webcam pra mim, enfim… Mas, nunca chegamos a nos encontrar pessoalmente. Na verdade, uma vez o vi chegando com a banda no aeroporto e fiquei tão chocada ao vê-lo ali que soltei um tímido, entre fãs desesperadas e cartazes feitos de última hora com batom: olha o JAPINHAAAAAAAAAAAAA!
Ele virou, olhou pra mim (juro que ele olhou pra mim) e deu um tchau. Gente, ele olhou pra mim e deu um tchau! Assim, balançando a mão e tudo mais. Quer um relacionamento maior que esse?
Porém, depois de todas as decepções, ainda não desisti de encontrar minha alma sansei-nissei gêmea. A Liberdade é um ótimo lugar. Droga, preciso voltar pra São Paulo.

Ouvindo: BB King (graças ao Valério da agência).
Vendo: 2ª temporada de Friends.
Lendo: Porcaria nenhuma, muita preguiça.
Querendo: Alguém que saiba formatar computador de graça e que, misteriosamente, o dinheiro na minha conta triplique sem nenhuma razão.

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011 x 021.

Final do expediente. Lá estava eu mais uma vez perdida no blog *Dele. Ah, ele… Ele que nem desconfia que já foi pra minha prateleira de ídolos – Até porque ele não te conhece, Flávia – É, mas ele é meu amigo de orkut, tá, tá? – Não importa – Droga.
Me deparei com um texto que fez eu rir tão alto e ter a certeza que existe, com certeza, alguma ligação entre nós – Cala a boca, Flávia – Juro que estava pensando muito em escrever sobre isso esses dias.
Eu sempre fiz mais o estilo garota do rio, calor que provoca arrepio (???) do que alguma coisa acontece em meu coração, que só quando cruza o Ipiranga e Av. São João (nunca entendi o porque disso, acho que era só pra rimar com coração). Mas, certamente, em minha última viagem pro incrível mundo paulistano-meu, alguma coisa, realmente, aconteceu. Voltei apaixonada. Por muitos motivos.
É, uma garota exacerbadamente (acabei de ler isso em algum lugar) louca por praia, bijouterias de hippies e que até dia desses tinha mechas loiras no cabelo, apaixonada… por São Paulo! Quem se apaixona por São Paulo fora o Caetano Veloso? É uma cidade grande, com trânsito estressante, sem farofa e de pessoas estranhas. Mas eu me apaixonei e daí? Tem explicação pra isso? Também já namorei caras estressantes e estranhos.
Uma das coisas que mais me irritam até hoje no Rio é o sotaque carioáca. Nunca entendi porque eles colocam a letra A depois das vogais. Juro que esse era um dos meus projetos de estudo, mas Ele, claro tinha que ser ele, conseguiu expressar o que eu queria fazer pro mundo há muito tempo.

“A única ligação entre São Paulo e o Rio de Janeiro é a Dutra. Fora isso, tudo nos afasta: o clima, a geografia, os costumes e, claro, o idioma — ou você vai me dizer que João Gordo e Evandro Mesquita falam a mesma língua? (…)O choque de civilizações, no entanto, está com os dias contados. Tendo em vista a amizade entre os povos, a paz mundial e os bolinhos de bacalhau do Jobi, resolvi fazer alguma coisa. Mergulhei em intensos estudos carnavalescos, escaldantes pesquisas praianas – entre outras experiências extremamente arriscadas (para um paulista) — e trouxe à luz, acredito, uma grande contribuição para o entendimento entre os dois estados: a Pequena gramática do carioquês moderno.
Nela, cheguei às três regras básicas da língua falada por aquele povo: a regra do R, a regra do S e a regra das vogais. As duas primeiras são de conhecimento geral: R no final da palavra ou no meio se fala arrastado (porrrrrrta, perrrrrrto), e o S transforma-se em X (mixxxxxto-quente, paxxxxta de dentexxxx). É na regra sobre as vogais, no entanto, que consiste a originalidade da minha descoberta e é ela que fará com que a minha gramática, assim como meu nome, ainda ressoem por aí muitos séculos depois que eu tiver ouvido repicar o último tamborim.
Enquanto em São Paulo somos alfabetizados com o A – E – I – O – U, as crianças do Rio de Janeiro aprendem A – Ea – Ia – Oa – Ua. Sim, há um A depois de cada vogal. Pegue qualquer palavra, como copo, pé e carro, por exemplo, e aplique a regra das vogais. Agora, fale em voz alta: coapoa, péa, carroa. Viu só? Aía, éa sóa voacêa pôarrrr A eam tuadoa, troacarrr S poarrr X e eaxxxticarrr o R quea fiaca óatiamoa.
O caminho inverso também funciona. Ao ouvir uma frase em carioquês, por exemplo: “Tua éa móa manéa, paualiaxxxxta oatarioa, voalta pra Móoaca”, transcreva-a, subtraia os As sobressalentes e você terá a sentença em paulistês.
Embora seja um grande avanço em face da estagnação em que estavam os estudos do carioquês por estas bandas, minha gramática ainda tem um enorme desafio a esclarecer: como é que o S vira R na palavra mearrrrmoa (mesmo)? E, mais ainda, por que é só nessa palavra? Tema apaixonante ao qual, prometo, retornarei em breve.”

*Dele: filho mais velho do Seu Mário Prata, o Antônio. :)

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Gripe? Dor de garganta? Tosse? Nariz entupido? Dor de ouvido? Aqui tem!

A sala de criação da agência em que eu trabalho não tem uma janelinha sequer. Na verdade, rola um boato que acharam uma um dia enquanto faziam a limpeza, mas a cobriram com uma persiana que não abre nunca. Imagina… Uma janela! Que audácia! Ou seja, ver a luz do dia ou saber se está caindo o mundo lá fora, nem pensar. Acho que sofro um pouco com isso. Minhas antigas salas, uma dava visão panorâmica de uma das ruas mais movimentadas de Belém (acho que foi por isso que não durei na criação) e a outra eu tinha até uma sacada.
Hoje, compartilhei minha tão amada gripe com todos da sala. Ambiente fechado, não mandei né? Na verdade, eles até cogitaram ser uma vingança minha, depois de já ter sofrido tanto com ar em cima de mim. Enquanto todos suavam com seu clima de 30º eu morria de hipotermia.
Odeio ficar gripada. Já sou lerda por natureza, gripada eu fico irritada, corpo mole e com uma preguiiiiiça. Estou naquela fase da gripe em que a cabeça fica pesando uma tonelada, com olfato inexistente e a voz rouca, a la traveco do Ronaldo Fenômeno, “sááábe, fofa”? Súúúpêêêr sexy, meu.
Trabalhar na criação é legal, apesar de não ser da criação. Sou uma produtora, que parece atendimento com gosto de tamarindo. Aliás, sempre amei todas as salas de criação das agências em que já trabalhei.
O primeiro estágio foi numa agência/casa que tinha só dois compartimentos. A sala de criação era gigante, gigante mesmo, até mesmo para três funcionários e uma estagiária bagunceira e dedicada (eu). A outra era menor e entupida. Entupida de pessoas, de tralha, de poeira… Era mais divertida, mas era uma bagunça. Vivia empoeirada e era impossível achar qualquer coisa. Pessoas se perderam ali. Mas, era coberta de janelas por todos os lados. Saudade daquela sala. Adorava entrar lá desesperada cobrando alguma coisa, pedindo o tamanho de algum layout ou só pra bater papo mesmo. No meu recreio do expediente (que eu mesma me auto decretava) eu fugia pra lá. Jogávamos Medal of Honor para se desestressar. Eu, como única mulher, era péssima, mas me viciei rápido.
Trabalhar na criação tem suas vantagens. As salas dos chefes ficam aqui em cima, não precisa ter que ficar subindo escada. O ambiente é legal, sempre rola alguma música (de Amy Winehouse a forró). Mas lógico que tem suas desvantagens. O banheiro feminino fica no primeiro andar, a copa também. O que me contenta é que lá embaixo também não tem muitas janelas. Ainda roubo uma da mídia e trago pra cá.

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