Arquivo para Abril, 2008

Vinte e quatro do quatro.

Hoje, vinte e quatro de abril, é um dia especial. Finalmente, achei minha especialização, ôba! É sério. Achei o curso, lugar, universidade e valores. Não aguentava mais tanto procurar. Andava frustrada, me sentindo sem rumo. Não tinha nada que eu via e dizia: É ISSO! E quando achava algo “marrom”, não tinha lá muita vontade (lê-se também poder aquisitivo para tal). Até porque sou uma pessoa em constante confusão. Nunca me peçam pra decidir nada, porque eu ainda não aprendi como se faz isso.
Já vai fazer um ano e meio que me formei e estava me sentindo estacionada. Quando se tem um emprego, isso tende a ser menos explícito. Mas, francamente, eu estava virando uma folgada.
Antes, eu mal respirava. Era o estágio (trabalho) escravo até 18h, depois universidade (longe, muito longe), pegando aquele trânsito lindo e agradável de fim do expediente. Chegava quase sempre meia-noite em casa. E ainda tinha academia todo o dia, espanhol aos sábados e saía todo o fim de semana. Agora, me diz, com que pique? Hoje só vou pro trabalho e já basta pra chegar semi-morta em casa. Ligo a tv, entro na internet e tudo com um esforço e uma preguiça mortal de existir. Acho que envelheci dez em um ano, porque isso parece fazer parte de um passado muito, muito distante.
Hoje também deletei meu orkut. Tenho orkut desde 2004 e acho uma arma tecnológica incrível. Encontrei amigos e primos distantes. Achei o menino que eu era apaixonada e namoramos até, um ano e muitos, tudo através do orkut. Mês passado encontrei meus amigos da alfabetização e estamos até marcando um encontro. Gente, alfabetização! Todo mundo deveria ter orkut, não seria mais fácil?
Mas, ao mesmo tempo, o orkut.com te deixa exposto de tal forma que é até indecente. Mesmo trancando as fotos e os recados, todos sabem quem são teus amigos, as coisas que gosta e os lugares que frequenta através das comunidades. Depois que roubaram meu msn, ando bastante receosa a exposição internética e sumir por um tempo vai ser bom. Lógico que daqui a pouquinho crio outro. Bora ver até quando dura, né? Lancem suas apostas.
Não vou cortar mais franja. É isso mesmo. Sou adepta da franja (não a retona, aquela a la Carmen San Diego, como diz um amigo meu) desde que entrei na faculdade. Meu apelido uma época era franja (?). Virou algo bem característico até, mas hoje em dia todo mundo usa. É um saco, tem de todos os modelos e cores. Perdeu a graça. Até fiz uma votação no msn e o not to be franja ganhou. Bora ver até quando dura também.
Fiz um novo fotolog. Pelas minhas contas, é o meu terceiro. Abri, coloquei uma foto, mas já cansei. Foi mais rápido do que pensei. Adios, de novo, fotolog.net.
Meu namoro acabou. Pela milésima vez e pra sempre. Quem nunca cometeu nenhum erro que coloque o dedo aqui. Oras, eu que já chorei e já tive que aguentar tanta coisa também. Ah, Flávia, mas é mais divertido julgar sem olhar pro próprio umbigo, né? :) Claro, havia esquecido. Cada ação, uma reação. Cada ato, uma conseqüência.
O blog (??) voltou! Êêê! Esse… Bem, esse eu não sei até quando mesmo. Vamos torcer para que dessa vez dure. Ou não?

Ouvindo: Cat Power (graças a Tici)
Lendo: Ainda Mário Prata. Vamos ver se consigo retomar “a menina que roubava livros” nesse meu fim-de-semana, solteira e com edredom paulista novo.
Querendo: Dinheiro, agora mais do que nunca.

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Flávio.

Há sete anos atrás, li um livro chamado: “harry potter e a pedra filosofal”. Era best-seller na época, mas foi um acidente, eu não queria que isso acontecesse. Uma amiga o deixou por engano em casa e eu o li, assim, sem querer. Por curiosidade, tédio… Mas volto a repetir: foi um acidente! Eu juro!
Dias depois, pesquisando sobre o talzinho na internet, achei um site do #harry_potter (era o ano em que mensagem instantânea com amigos era a base de mirc).
O “site” era tão tosco, mas tanto, que me deu vontade de entrar na hora no canal. Não era lotado, mas tinha um grupo considerável de “participantes”. Gente do Brasil inteiro, incluindo Belém também. O criador do tal site estava on-line. Não resisti em chamar um “pvt” com o cidadão. Cheguei e disse sem meias palavras que aquilo era a coisa mais horrenda que já tinha visto em toda minha vida e que não o bastante ainda continha um monte de erros.
Ele riu, agradeceu as “sugestões”, fez as mudanças e a partir daí, quem imaginaria, ele jamais sairia da minha vida. Na época, ele tinha quinze anos e eu meus recém-completados dezesseis.
Eu o batizei de “Flávio”. Minha versão masculina. Até hoje, não conheço ninguém no mundo tão… Tão EU do que ele.
Nunca perdemos contato em sete anos de uma amizade virtual. Sempre acompanhávamos os detalhes da vida um do outro, fazíamos as mesmas piadas, o mesmo sarcasmo, o mesmo humor, o mesmo mal-humor, as mesmas idéias. Éramos insuportáveis juntos, queríamos conquistar o mundo.
Mesmo quando o mirc morreu (que Deus o tenha), continuamos a usar as outras opções como ICQ, e-mail, MSN e até mesmo telefone. E como a gente se falava no telefone… Só lembrávamos que era interurbano quando chegava a conta. Ás vezes, não acreditávamos que nos “encontramos” graças a um livrinho de uma escocesa.
Não sei quanto a vocês, mas a época que as pessoas usavam o tão irritante MIRC, foi uma das épocas mais felizes da minha vida. Foi quando carimbei, pra sempre, meu tão invejável status de nerd. Difícil acreditar, mas nessa época e no tal canal constrangedor, fiz amigos pelo Brasil que até hoje mantenho contato direto, enquanto devo falar apenas com uns cinco ou dez que estudaram o último ano comigo.
Foi nessa época que aprendi que amizade é muito mais que contato físico. Bastava apenas sintonia, afinidade e aquela sensação de “te conheço desde sempre”. Está mais que comprovado que amizade não é medida pelo tempo que as pessoas se conhecem e sim pela intensidade mesmo.    
O “Flávio” morava em São Paulo na época, mas agora mora em Curitiba há alguns anos. Fui a Curitiba a passeio, mas acabamos não nos encontrando. Cheguei a acreditar que toda essa sintonia, deveria se manter para sempre da forma que começou. Intacta, através da tela.
Conversamos todos os dias através dos emails dos nossos respectivos trabalhos. É o nosso msn alternativo que criamos. Acabei comentando, dois dias antes, que estava indo a São Paulo. Ele pegou um ônibus, pediu folga no trabalho e foi de Curitiba pra São Paulo me ver.
Mesmo eu o xingando de ogro insensível desde sempre, acredito que poucos fariam isso por mim.
Ele ainda continua sendo um ogro insensível sim, mas que vai estar sempre na minha vida. Vou ter que aprender a conviver com isso.

Ouvindo: Stars
Vendo: Por enquanto nada. Tentando baixar mais episódios da 4ª temporada de Lost.
Lendo: Memória de minhas putas tristes, 100 melhores crônicas do mário prata.
Querendo: Férias, mais promoções gol/tam e achar minha especialização.

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