Arquivo para Agosto, 2007

As melhores conversas de msn (3).

16:11 de segunda-feira. Um ex-amigo ingrato que se mudou pro rio puxa conversa.

João Gabriel diz:
flaviaa
flávia diz:
quiééé?
João Gabriel diz:
fui atender o interfone daqui de casa
João Gabriel diz:
era nivea stelman querendo falar com minha tia
flávia diz:
hahahaha deixa de ser ridiculo
João Gabriel diz:
serio
flávia diz:
pq raios ela queria falar com tua tia?
João Gabriel diz:
juro
João Gabriel diz:
a minha tia trabalha com convites e brindes de aniversario
flávia diz:
annnnnnn ela subiu?
João Gabriel diz:
ai td ano a nivia faz convites com minha tia
João Gabriel diz:
nao.. a empregada foi levar uma parada la em baixo pra ela
flávia diz:
sim e daí? foda-se. foda-se a nívea stelman.
João Gabriel diz:
porra.. dava pra eu pegar ela
flávia diz:
HAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHA.

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Escorpião x Sagitário.

Eles não tinham nada pra dar certo, ninguém jamais apostaria. Eram um casal óbvio, mas improvável.
Ele estava se formando em biomedicina, último ano e a última coisa que queria era um pretexto para se prender com alguém. Ela era publicitária, trabalhava numa agência e nem sabia o que era biomedicina, nunca quis saber. Eles se conheceram em meio a uma discussão numa mesa de bar sobre o tal curso. Sim, eles se conheceram assim, discutindo. Enquanto ela ria, ele tentava explicar para ela que seu curso não era só examinar cocô. Em vão, é claro. Cansaram de discutir e foram dançar. Ela o odiou logo de cara, ele também, logo eles se atraíram um pelo outro, foi inevitável. Enquanto ele lia arquivos científicos e outras porções de coisas chatas sobre leucócitos e afins, ela lia crônicas engraçadinhas e ria alto, até obrigá-lo a pedir silêncio e rir mais ainda, até fazê-lo desistir.
Ele era de escorpião, ela sagitário. Escorpião era o inferno astral de sagitário, foi o que ela leu em uma revista de horóscopo enquanto fazia as unhas. Ela preferiu deixar de lado a revista e ligar para ele.
Ele gostava de maracutu e reggae. Ela já tinha superado o reggae.
Ele a chamava de underground por ela gostar dessas bandinhas “alternativas”. Mal ele sabia que ela assistia blockbusters na estréia e era fã de best-sellers.
Na adolescência, ele usara um topete e brinquinho dourado com cruz pendurada a la Romário. E ela já teve uma blusa do Nirvana. – Foi presente – Ela diz, mas ninguém acredita. Ela só foi saber que o vocalista da tal banda tinha se suicidado em 1999, cinco anos depois do ocorrido. E chorou dias e dias por isso.
Eles tinham a mesma idade, íam para os mesmos lugares, colégios vizinhos a vida inteira, vários amigos em comum e se formaram juntos no curso de inglês, mas nunca se lembraram um do outro.
Ela adorava moda. Ele usava a mesma bermuda por duas semanas seguidas e pegava a primeira camisa do guarda-roupa, mesmo que amassada, não importava, a primeira era a que valia. Ela passou a acreditar que devia ser um ritual de sorte e desistiu de implicar.
Quando ela estava triste, ele cozinhava ou levava café na cama pra ela. Ela nunca cozinhou um ovo pra ele, mas apreciava bem a comida que ele fazia.

Eles eram de mundos diferentes, era o que todo mundo dizia, mas tinham apenas algo em comum, um detalhezinho que mudava totalmente suas vidas: eram, insistentemente, apaixonados um pelo outro. Implicantes. E ainda insistem em não desistir disso.

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“dá pra devolver meu óculos, por favor?”

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