
Há certas coisas que vocês, classe masculina, bebedores de cerveja, fãs dos petiscos gordurosos e comentaristas frustrados de futebol, precisam urgentemente saber sobre nós, seres estranhos que usam saia, sobem ladeira de salto e fazem xixi sentado. Mulheres.
Entenda, amigo, mulheres não nasceram com noções de espaço e quantidade que vocês possuem e que tanto nós invejamos. Toda mulher é exagerada. Eu disse todas, TODAS. É, até sua mãe, sua vizinha gostosona que você deseja desde os 15 anos e até mesmo aquela Camilinha, a estagiária que você tanto olha com pensamento impuros.
Vocês têm que entender que no mundo de nós, mulheres, não existe coisa mais normal, mais aceitável e compreensível do que levar todos os nossos biquínis ao passar um final de semana em algum balneário (relembrando, final de semana = 2 dias).
Cada dia é um humor diferente, um sol diferente, um dia diferente e, para isso, um biquíni diferente, meu caro, isso não é óbvio? Porque vocês insistem tanto em não entender? E para cada biquíni uma canga, saída, short ou qualquer tipo de acompanhamento diferente. Afinal, vocês devem compreender que biquíni rosa de bolinha verde limão, não combina com aquela canga laranja com estampa em tye-dye, comprada em 1996, quando provavelmente era moda usar estampa tye-dye (confesso, tenho uma).
Assim como vocês devem entender que nossos sapatos e sandálias precisam ter um mínimo de combinação com a peça acima, por isso, precisamos (também) levar tantos e de tantas cores diferentes. Não tente compreender nossa paixão por sapatos.
Nunca, mas nunca mesmo, ouse a chamar essas atitudes de exagero. As consequências podem ser irreversíveis, vai por mim.
Outra coisa, muito importante é que as mulheres não nasceram com a sabedoria chinesa de entender mapas. Desista, amigo. Ela pode olhar, olhar e fingir que está entendendo que ruas são aquelas e onde vai dar. É capaz (melhor dizendo, com toda certeza) dela afirmar que sabe direitinho onde está indo. Bobagem.
Mulheres não gostam de conversar sobre futebol. Podemos até entender o que é um impedimento, ter algumas camisas, gostar de ir pro estádio, xingar o juíz e coisa e tal, mas querer discutir a cotovelada do Leonardo no jogador americano na Copa de 94, esqueça. Sim, nós mulheres amamos a Copa! Uma oportunidade de usar blusas do brasil, bandeirinhas, gritar gol, olhar as pernas do jogadores da Argentina e da Itália… Mas querer discutir Copas passadas, quem foi o melhor jogador do campeonato tal blá blá blá… Esqueçam. São o tipo de conversa de curar insônia de qualquer mulher.
Se você foi convidado pelo Robertinho, aquele amigo mulherengo do trabalho, para tomar um chopp “despretensiosamente” depois do expediente, assim “como quem não quer nada” e só avisou para sua madame quando já estava no recinto barulhento cheio de mulher ou, pior, aproveitou para informá-la quando ela ligou para o seu celular, afinal, você nem tinha reparado que já se passavam mais de duas horas e você nada de dar sinal de vida e ela fez um escândalo, que mesmo o celular não estando no viva voz, foi compartilhado com todo o bar e jurou terminar o noivado de cinco anos e você, simplesmente, não a entende e a julga de neurótica e insegura pra baixo. Ok, vamos lá.
O que vocês, homens, devem entender é que bar ou qualquer outro depósito de quatro paredes que venda a palavra cabalística cerveja, não tem o mesmo significado para vocês homens do que para nós (a começar pelo banheiro de bar, que é sempre um problema para mulheres, mas isso fica para o próximo capítulo). Tudo bem que vocês podem até me convencer que vão pra lá para discutir política, futebol, comer uns petiscos frios e baratos e tomar cerveja, mas, para a maioria das mulheres, bar significa um antro de perdição, pecado e adultério. É o comitê político masculino para se discutir sobre mulheres, bundas, peitos e, claro, sexo. E, já que estamos falando no assunto, porque não avaliar algumas que estão por aqui? Hummm, olha aquela ali de vestido verde? Meu Deus do Céu… De repente, até pedir telefone, MSN, será que ela tem orkut? É, mulheres sabem que vocês fazem isso, só que elas pensam vinte vezes pior.
Para as mulheres, bateria de celular nunca acaba no bar. É algo impossível, inaceitável, imperdoável! Não ouvir o celular tocando então, pior! É fim de relacionamento na certa, vai por mim, rapaz.
Por via das dúvidas, para salvar seu relacionamento, avise para sua querida antes de sair, de preferência, opte por algo meio: “ah, amor, eu nem estava muito afim de ir lá, mas só vou dar uma passada rápida, para não ficarem enchendo o saco”. Se ela fizer jogo duro, jurar jogar fora o anel de compromisso com seu nome gravado e o escambau, você vai ser obrigado a partir pro jogo baixo. Avise que não vai demorar, que vão ser só cinco choppinhos no máximo e que depois passa na casa dela. E claro, a elogie, sempre funciona. Sem exageros, pra não parecer falsidade.
Se ela não atender sua ligação, ótimo pra você. Você ligou e ela não ouviu, ela vai saber que você fez sua parte ao ver a ligação perdida do “amor cel”.
Se ela disser: “ah é? Poxa, então tá né? Não vai olhar pra ninguém, heim? hunf”. Bingo! Barra limpa! É a namorada dos sonhos. Não esqueça de dizer um “te aminho” ao desligar. Afinal, essa tem que preservar.
Agora se ela disser: “ah, tudo bem, amor. Vou ficar por aqui te esperando então. Mande um beijo pro Robertinho”. PERIGO! Desconfie. Afinal, nenhuma mulher é tão compreensiva e legal assim. É provável que ela já esteja no carro com mais cinco amigas lindas e solteiras no caminho de algum bar.
Continua…










