The beautiful boy.

Que eu gosto de orientais, músicos, bons escritores e nerd face não é segredo pra ninguém. Quando tudo isso se junta no herdeiro de um beatle, é um pouco demais.
Falo do “beautiful boy” Sean Lennon, filho mais novo de, claro, John Lennon.
Mas ao contrário do que muitos pensam, John não era nem de longe o meu Beatle favorito. E eu juro que gostava da Yoko. Mas isso é tópico de outra conversa. Me lembrem.
Sean é anti-social, usa roupas bizarras, armações de óculos estranhas, cabelos sempre desgrenhados e uma voz de japa, japa boy desafinado que me vence. Sou encantada por ele e sua música.
As únicas aparições pra mim, até então, do filho de Yoko e John foram no Imagine, o famoso documentário após a morte de John e no cd wonsaponatime, uma coletânea do John com versões de estúdio. Um dos poucos CDs que eu tenho original. A faixa 20, Sean`s in the Sky, é uma conversa de um minuto e meio entre John e um Sean de quatro anos, que pergunta por que não estava com os pais quando compraram a casa (a famosa casa branca do clipe de Imagine, que eles a adquiriram em 73, dois anos antes de Sean nascer).
Para quem não lembra, Sean participou também em 88 do filme Moonwalker do Michael Jackson. Entre outras participações em filmes menores. Mas logo, deixou de lado a carreira de ator pela música.
Sean cresceu, entendeu que não desceu do céu em uma caixa de maçã como John lhe disse e tomou seu espaço.
E uma das coisas que mais admirei em Sean foi a diferença musical com seu pai que ele, desde o início, quis deixar claro. Ele sempre foi contra participar de Festivais que propagassem a onda Beatles e Lennon mania. Não que ele não o admirasse, pelo contrário. Ele admite que muitas vezes ainda chora ao ouvir a voz do pai em suas músicas.
Fãs do Lennon pai podem até terem se decepcionado, mas que ele conquistou outros, isso sem dúvida.

Segue abaixo minha lista Top 5, para ajudar quem ainda não conhece o rapaz.

Home foi o primeiro clipe que eu vi na MTV. Acho que em 99/00. É do primeiro cd, Into the Sun. Me pergunto até hoje o que o diretor cheirou pra fazer um clipe desse. Anyway, não é a minha música favorita, mas por ser o primeiro clipe, muito agoniantemente bem produzido, vai pra lista. Reparem na última cena, o Sean de lado, lembra absurdamente o John.

Into the Sun, do primeiro cd que tem o mesmo nome. Acho que foi a primeira música favorita, mas ainda com esses toques de brazilian music. Tenho quase certeza que a pessoa que faz esse backing vocal era a namorada dele na época, que não lembro o nome agora.

Two fine lovers. É fofa, vai :)

Dead Meat. Do último cd, friendly fire. Provavelmente a música mais conhecida do cd. A versão abaixo é meio que uma compilação com trechos de vários outros clipes do friendly fire. Eu adoro a letra dessa música, apesar de achar forte demais. Uma vez um ex me mandou essa música. O que será que ele quis dizer? No início (que é o começo do clipe original de on again and off again) que Sean aparece falando, dá pra perceber a voz fofa de criança que ele tem.

On again off again. A música é meio boba, mas adoro. Principalmente essa versão acústica, que tem dead meat e em seguida on again off again. O clipe da música original é com a Lindsay Lohan.


Por último, um clipe do documentário Imagine, pra música Beautiful Boy.

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Sampa facts #1

Estou morando em São Paulo há praticamente cinco meses. Vim lá de cima, daquela região onde o frio nunca dá o ar da graça. Belém. Aquela do Pará.
Belém tem aproximadamente uma distância de 2933 km de São Paulo. Você só pode ir de avião, o que dá um pouco mais de 3h. A não ser que você queira perder três dias de carro, fique a vontade. Resumindo um pouco a história, é quase um outro país. É mais barato você ir pra Argentina ou pro Chile.
O Pará, para você que não sabe, fica na região Norte do Brasil. NORTE. Assim como o Amazonas, Amapá, Rondônia, Roraima, Tocantins e o Acre (que reza uma lenda antiga que existe vida lá).
Continuando, existe o Norte e o Nordeste e nossos sotaques, assim como a localização, são bem diferentes.
Fui passar o fim de semana em Santos, litoral de São Paulo, na casa de uma amiga. Lá, conheci umas paulistas amigas da anfitriã, que já estavam a minha espera. Fui surpreendida ao me abordarem pra dizer que meu sotaque não era “carregado” (?). Elas esperavam que eu soltasse dialetos como arretados, arriéguas e ôxentes entre as palavras. E que entoasse a vogal E da forma correta e não ao som de I, entendE? E quando apareci lá, com essa cara de índia-japa que Deus me deu, luzes no cabelo, falando tímidos éguas e dexxxculpas, foi uma decepção. Desculpa, paulistas. Ops, paulizzztas.
Na verdade, sempre achei que o Pará fosse livre de sotaque. Eu achava que falava igual as mocinhas da novela e que paulista que falava engraçado. Pra que colocar tanto R no fim de zeladorrrrrr e falar deZculpa como se fosse com Z? Isso tudo seguidos de mano, meu e tá ligado. Sem esquecer do famoso entããão levemente fanho e dos: “Quer que eu pegO? Quer que eu levO?” que eu sinceramente procuro entender até hoje.
Na pós-graduação perguntaram se eu era do Rio. Foi quando reparei que meu desculpa era com x e não com z, como o dos paulistânos.
Outra coisa peculiar de paraense é falar tudo na segunda pessoa do singular. Ninguém fala você. A não ser que seja um tratamento mais formal ou com algum carinha que não temos intimidade. A gente fala TU com vontade. E conjugado corretamente. Tu foste? Tu vais? Tu queres? Eu nunca tinha reparado o quão deve ser estranho ouvir alguém falando assim.
Algumas situações bem engraçadas (e constrangedoras) já aconteceram. Uma vez eu estava com uma cliente e soltei um: “ ah porque a mamãe…”. Ela começou a rir e fiquei lá com cara de trouxa tentando entender. E ela disse: “ai, desculpa é que eu acho engraçado essa mania de vocês nordestinos falarem mamãe.”
Nordestinos? Tudo bem, olhando com um ar paulista agora, falar mamãe é realmente engraçado. Mas eu continuo não sendo nordestina, obrigada.
Outra coisa que eu reparei aqui é que, de duas uma, ou São Paulo é composta por 90% de sua população paraense ou todos nós nascemos com um chip magnético que nos atrai. Pode perguntar pra qualquer paraense aqui, ele certamente tem uma história.
Sabe aquela menina que era sua amiga adolescente e vocês brigaram e nunca mais teve notícias dela? você a encontra dentro de uma loja em um shopping qualquer. Tem um milhão de shoppings aqui, mas você e ela vão se esbarrar, não adianta.
Gente que você conhecia de vista, você encontra no ponto de ônibus, no banheiro da faculdade, no barzinho. Conheço histórias de gente que encontrou o amigo da faculdade na 25 de março. E uma outra amiga encontrou o gatinho paraense, que estava de férias aqui, na fila do cinema. Juro!
Paraenses neo-paulistânos, cuidado, temos um imã. Certeza.

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“Belém? Onde Jesus nasceu? Rááá”. ¬¬

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E um dos medos de entender é achar bonito.

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A barrinha vertical do Word piscava sem parar. Implorando por letras, palavras. Por um começo de raciocínio. Ela queria escrever, mas não sabia por onde começar.
A bagunça estava formada e tomou proporções que ela jamais imaginaria. Ele? Bem, ele estava quieto no canto dele de sempre, atrás de um monitor gigante de Mac qualquer. Canto esse onde jamais deveria ter sido mexido. Mas ela não ia sossegar enquanto não mexesse.
“Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo.”
Tiveram poucos contatos no breve período que trabalharam juntos e ele era um dos poucos que ainda não havia a convidado pra almoçar.
Poucos dias bastaram para ela observá-lo. Reparava do tênis surrado até o último fio bagunçado de cabelo dele. A hora que chegava, sempre atrasado. A hora que saía, sempre depois do horário. Discreto em todas as vezes. Ele, claro, jamais soube que estava sendo observado. Em diversas ocasiões madrugaram juntos e ela nunca disse o quanto era fã do trabalho dele.
“E ela acreditava em anjos, e porque acreditava eles existiam…”
Ele tinha um sorriso sincero e dente torto, desses de criança. Um cabelo sempre bagunçado com cara de que havia sido tentado ajeitar, mas não deu lá muito certo e com as bolsinhas abaixo dos cílios inferiores que não negava a mistura oriental. Ele tinha bondade no olhar e ela achava raro isso e tudo que era raro a encantava.
“O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete não transborda nem uma fração de milímetro além do tamanho de uma cabeça de alfinete. Tudo o que existe é de uma grande exatidão. Pena é que a maior parte do que existe com essa exatidão nos é tecnicamente invisível.”
Em todos os Jobs que ela lhe passava diariamente, ele era atento, prestativo e olhava nos olhos dela, mesmo sendo tímido. Coisa que chegava a desconsertar algumas vezes. Foi quando em uma dessas ocasiões ele riu e ela percebeu que além de tudo ele era bonito. Bonito de uma forma que nem ele devia fazer idéia.
“É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas. É tão silencioso. Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois? Dificílimo contar.”
Ele insistia em chamá-la pelo diminutivo do seu nome, coisa que muita gente ainda fazia, mas que a irritava. Só que na voz dele, misturado ao sotaque paulistano, até que não ficava de todo irritante. Pior, ela gostava de ouvir.
“Se uma pessoa fizesse apenas o que entende, jamais avançaria um passo.”
Enquanto trabalhavam juntos, nunca teve coragem de mencionar ou insinuar qualquer vestígio. Pelo contrário, ele era o único que não recebia seus abraços matinais. Sabia que o moço não era livre e seria mais um caso que teria que esquecer.
“…não me deixe ir, posso nunca mais voltar.”
Até que, antes de partir, ela soltou que ele a encantava, por mais que ele não tivesse intenção e por mais que ela não quisesse. A encantava e ponto final. Ela não sabia o que poderia esperar jorrando todas essas palavras a ele, mas sabia que era algo que deveria fazer e ele que fizesse o que bem entendesse com a informação. E se sentiu leve.
“Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Entregue-se como eu me entreguei. Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa qualquer entendimento”
Foi quando ela fechou a porta, ele a observou. De um jeito que nunca havia observado antes. E a bagunça começou. Duas pessoas que, teoricamente, se gostavam, tinham afinidades e gostos estranhos em comum precisavam se esquecer sem nem ao menos terem tentado.
“…respeite sobretudo o que você imagina que é ruim em você – pelo amor de Deus, não queira fazer de você mesma uma pessoa perfeita – não copie uma pessoa ideal, copie você mesma – é esse o único meio de viver.”
“…faz de conta que ela não estava chorando por dentro – pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado;”
“Só o que está morto não muda! Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena!”

Então, talvez, ambos pensaram, que tudo não passou de empolgação da parte dela e envolvimento demasiado da parte dele. E caminharam assim, cada um acreditando no seu próprio entendimento inventado e no que era mais cômodo pra si.
“…e um dos medos de entender é achar bonito.”

(Trechos de Clarice Lispector).
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A humilde Eleanor foi convidada e agora faz parte do Paraense.com um diretório de blogs paraenses. Que linda!
:)

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Editando Miss Virtude.

Tomei a liberdade de editar o último post. Claro, o blog é meu e edito o que quiser a hora que bem entender, não?
O fato é que foi escrito no calor da emoção (como falar isso sem soar brega? impossível, perdoem-me) e nessas horas a gente sai falando tudo o que pensa sem parar pra respirar e analisar todo o cenário em volta. Eu então, sou uma famosa especialista em vômito de palavras.
Coincidentemente (ou não) essa semana e a que passou, duas amigas me mandarem e-mails com dois textos excelentes. Sabe aqueles e-mails repassados que geralmente a gente nem lê? Pois bem, o tempo de sobra fez com que eu abrisse e fiquei impressionada. Adoro quando textos me mexem dessa forma.
Seguem abaixo os trechos:

“…de uma coisa podemos ter certeza: de nada adianta querer apressar as coisas; tudo vem ao seu tempo, dentro do prazo que lhe foi previsto. Mas a natureza humana não é muito paciente. Temos pressa em tudo, aí acontecem os atropelos do destino, aquela situação que vc mesmo provoca por pura ansiedade de não aguardar o tempo certo. Mas alguém poderia dizer: mas qual é esse tempo certo? Bom, basta observar os sinais… Quando alguma coisa está para acontecer ou chegar até sua vida, pequenas manifestações do cotidiano enviarão sinais indicando o caminho certo. Pode ser a palavra de um amigo, um texto lido, uma observação qualquer;”

“AMANTE é ‘aquilo que nos apaixona’. É o que toma conta do nosso
pensamento antes de pegarmos no sono e é também aquilo que, as vezes, nos impede de dormir.
O nosso AMANTE é aquilo que nos mantém distraídos em relação ao que acontece à nossa volta.
É o que nos mostra o sentido e a motivação da vida.
Às vezes encontramos o nosso amante em nosso parceiro, outras, em alguém que não é nosso parceiro, mas que nos desperta as maiores paixões e sensações incríveis. Também podemos encontrá-lo na pesquisa científica ou na literatura, na música, na política, no esporte, no trabalho, na necessidade de transcender espiritualmente, na boa mesa, no estudo ou no prazer obsessivo do passatempo predileto…
Enfim, é ‘alguém’ ou ‘algo’ que nos faz ‘namorar’ a vida e nos afasta do triste destino de ‘ir levando’.
E o que é ‘ir levando’? Ir levando é ter medo de viver. É o vigiar a forma como os outros vivem, é o se deixar dominar pela pressão, perambular por consultórios médicos, tomar remédios multicoloridos, afastar-se do que é gratificante, observar decepcionado cada ruga nova que o espelho mostra,é se aborrecer com o calor ou com o frio, com a umidade, com o sol ou com a chuva. Ir levando é adiar a possibilidade de desfrutar o hoje, fingindo se contentar com a incerta e frágil ilusão de que talvez possamos realizar algo amanhã.”

Esse último (que foi quase metade do texto em vez de um trecho), é de um psicólogo chamado Jorge Bucay. Eles quase se contradizem, mas no fundo falam da mesma coisa.
É, rapaz. A vida continua não sendo certinha. Continuamos acordando cedo pra trabalhar (eu no caso pra arrumar a casa, temporariamente). Continuamos fazendo milagre para pagar nossas contas e tudo mais. Porém, fui convencida de que, realmente, não adianta apressar o tempo das coisas. Tudo tem seu timing próprio. Lógico que podemos sim mudar, arriscar, dar a cara a tapa. A vida é um eterno risco o tempo todo e depende de nossas escolhas. Mas é fato de que tudo acontece exatamente como deve acontecer, por mais que a frustração domine e que a compreensão demore.

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Minha amiga-irmã jornalista (com gostinho de publicitária) Mariana Tupiassu finalmente deu a luz a seu filho. Projeto que ela estava tentando colocar no ar há tempos. Nasceu o Malícia de toda mulher. Eu sou fã de qualquer porcaria em guardanapo que ela escreve, sei que sou suspeita, mas confiram.

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Miss Virtude.

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Como seria lindo se vida pudesse ser toda certinha. Que a gente tivesse dinheiro de sobra pra pagar todas nossas contas. Que a gente tivesse um emprego maravilhoso. Que nosso cabelo amanhecesse sempre lindo. Que os sapatos não fizessem calos. Que a gente não magoasse ninguém. Que tudo se encaixasse como peça de quebra-cabeça. Feijão com arroz.
Mas ela não é. Sempre foi longe de ser.
Muitas vezes agi em nome de valores que desde criança fomos educadas a seguir e com isso, deixando minha felicidade em segundo plano. Mas e aí? E agora? Cadê meu troféu de rainha da virtude? A verdade é que vou dormir e acordar com vontade e com aquela agonia de imaginar: mas como seria se…
Acredito sim, que não devemos ser impulsivos, apesar de muitas vezes não conseguir. Eu não acredito em pessoas certas e momentos errados. Perdoem se estou dramatizando demais, mas já estive do dois lados em diversas situações e posso constatar que isso não existe. Porque, pode sim, existir a pessoa certa, mas o momento errado não. Porque, repetindo o parágrafo acima, a vida não é certinha. Exata. Ou seja, nós, que pagamos nossas contas, que acordamos cedo pra ir pro trabalho e um zilhão de outras coisas mais, que fazemos o momento certo das nossas vidas. Nós e mais ninguém. Mas, infelizmente, acho que existem suas exceções.
No final, você acaba colocando culpa na vida, coitada. A vida que entregou todas as peças na sua mão e você que fizesse o que bem entendesse com elas. Cada escolha, uma renúncia. Não se pode ter tudo mas pra tudo existe uma explicação, por mais que tarde a vir.
Acredito que ninguém passa pela vida de outra pessoa em vão, a toa (existe crase ainda aqui?). Sem agregar nada. Eu, no caso, aprendi mais uma lição pra carregar no bolso e sou muito grata. Assim como espero ter passado algo que possa ser levado.
Como a vida, eu também não sou certinha e já constatei que não quero ser, obrigada. Sou imperfeita, claro, mas tenho qualidades, valores e já pensei em muita gente na frente de mim mesma. Hoje eu lamento. Sinto muitíssimo. Mas agora, pela minha felicidade, abro mão de ganhar qualquer troféu de virtude.
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Dica: Não queria ver, mas de todo mundo falar bem e por ser baseado num livro da Martha Medeiros, dei uma chance ao Divã e levei um tapa. O filme é excelente. Tem alguns deslizes e clichês típicos de filme nacional, mas não deixem de ver. Juro que estou até com vontade de ver de novo.
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A roteiro da viagem de Dia dos Namorados-sem-namorado (desculpem por isso) já foi escolhido e garantido. Cada dia amo mais morar em São Paulo, gente. Amo minha Belém quentinha, mas tudo aqui é tão perto.

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Adios, digital life.

Hoje minha mãe ligou com a triste notícia que meu pczinho de Belém, que já estava sucumbindo em seus últimos dias, deu seu último suspiro e ela foi obrigada a formatá-lo. Em outras palavras, toda minha vida digital foi jogada pela janela.
Sabia que cedo ou tarde esse dia chegaria, mas não estava preparada. Comecei a chorar no telefone, deixando-a desesperada. A cada lembrança do que havia ali, era uma dor. Fotos, todas elas. Desde 2003. Textos, mensagens, logs gravados, vídeos. Claro que, aparentemente, só eu e a Carrie de Sex and the City que não fazemos backup de nossos arquivos. É, salvei pouquíssimos CDs ao vir pra cá e que no momento nem faço idéia onde estejam.
Esse talvez seja o grande desespero do mundo atual. Grande parte da minha vida, talvez a melhor dela, estava guardada naquele CPU velho e enferrujado. E de repente, tudo se foi. Ficaram apenas as lembranças da memória, essa amiga qual também não é lá muito boa e pouco me ajuda. Até porque, faço parte de uma simples e querida filosofia: Se eu não tirei foto, eu não fui.
E pra completar a situação da minha carente vida digital, minha máquina, velha de guerra, companheira de tantos anos, virou oferenda de Iemanjá e morreu. É, eu sei tava na hora, mas eu tenho um costume terrível de prolongar a vida de tudo que eu gosto. Uma amiga minha que diz eu não jogo nada fora. Nada. Se jogar, jogo sem pensar, sem ver. Depois me arrependo, mas já é tarde.
Ou seja. De hoje em diante, tudo que eu tenho é de 2009 pra cá. Talvez mais um motivo pra olhar agora apenas pra frente.

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Aaaaaaaaaah!

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Paquerar.

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Eu tenho um problema sério em relacionamentos homem x mulher. Não sei paquerar. É sério.
Antigamente era uma teoria que eu trazia comigo e no fundo no fundo achava que era coisa da minha cabeça, mas é algo que vem se comprovando a cada dia. E quando se é mulher, mora em São Paulo e solteira, isso é um problema.
Meus primos me apelidaram recentemente de Pega-ninguém. Tudo porque em dezembro agora, fui para formatura de uma prima em Manaus e saiamos todas as noites. Todo mundo se deu bem e eu, solteira e em outra cidade, não “peguei” ninguém.
Eu já havia comentado aqui que micareta e fazer “novas amizades” na baláááda nunca foi pra mim. Não tenho paciência, não presto atenção no que o outro fala, me irrito e saio correndo. Tudo soa falso, pré-ensaiado, arght. Nossa, tenho cada experiência mal-sucedida… Ás vezes, a pessoa poderia até ser interessante, mas não dá. Admiro amigas que conseguem. Eu não.
Lógico que tiveram suas exceções, dependendo do humor (e do teor alcólico) do dia. Mas, é muito chato beijar quem você não conhece, não tem um mínimo de intimidade. Se torna frio, falso, sem-graça. Salvo raras exceções, como um desejo antigo, enfim.
É por isso que eu já fiquei com muitos amigos, amigos mesmo ou se tornaram muito amigos no decorrer do tempo, dificultando a extensão pra um relacionamento “sério”.
Aí, lembrei do problema. O não-saber paquerar desconhecidos.
Ontem eu estava fazendo algo que costumo fazer quase sempre aqui em São Paulo, comendo numa dessas famosas lojas de pães (porque percebam aqui em São Paulo existem as padocas e as lojas de pães), quando reparei no cara que estava me atendendo. Eu gosto desse costume paulista de comer no balcão.
O cara era meu número. Magrinho (apesar de gostar mesmo de gordinhos, vai entender), branquinho, cabelo bagunçado e cara de menino. Ele deveria ser um ou dois anos mais novo que eu, certeza.
Senti, logo de início, uma certa simpatia pro meu lado mas como as pessoas aqui tendem a ser educadas (a maioria), relevei. Peguei minha comanda e fui caminhando ao caixa. Senti que ele ficou me observando no trajeto e uma das coisas que mais odeio nesse mundo é me sentir observada. Sou desastrada, sempre alguma merda acontece essas horas. Saí do caixa e fiquei na porta esperando uma amiga e a chuva resolver dar uma trégua, quando o talzinho surge do nada falando pra caixa:
- Tá faltando troco aí, tá tudo certinho? - Veja, fulana, eu não sou um funcionário, meu pai é o dono.
Foi aí que eu pensei que alguma coisa não estava normal. Porque além de não saber paquerar eu sou lerda pra perceber o contrário.
Contatos visuais aconteceram. Um, dois, três, um milhão de vezes. Eu virei, olhei pra baixo, pra cima, querendo sair correndo no meio daquela tempestade e tentando controlar o riso incontrolável. Quando fico tímida, tendo a rir incontrolavelmente, é constrangedor isso. Mas aí, lembrei da minha mãe. É, eu não estava sozinha. Minha mãe, aquela altura, já havia comprado a loja de pães inteira. – É pra levar pra Belém. – Ela insistia em dizer. Ele, o talzinho, prontamente, pegou uma sacola pra colocar as 300 caixas de besteiras calóricas que minha mãe havia comprado e acompanhou até a porta e ficou lá, do meu lado, conversando com o segurança e eu alí, me fingindo de morta.
Mesmo assim, considerei meu primeiro quase flerte (ainda usam essa palavra?) em São Paulo. Prometo voltar essa semana lá e ve se aprendo a paquerar (essa com certeza não se usam mais, mas não achei uma outra adequada) decentemente de uma vez por todas. Me desejem sorte.

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O amor tem muitos desencontros até…

O post é o título. Frase sábia, curta e precisa. Sim, precisa, apesar das reticiências.
Talvez merecesse um post, daqueles enormes, uma fotinho bonitinha e com direito a 50 comentários.

Mas, não há muito a ser dito. Nada diferente do que já se sentiu e ouviu.
A frase dispensa explicações, por mais que eu fosse sábia o suficiente para achar as palavras certas. É um fato, não uma opinião.

*Primeiro post paulista.

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O timing perfeito.

Vou citar três exemplos de situações que aconteceram com meu primo, com uma amiga e com um outro amigo meu respectivamente.

Situação 1.
Meu primo gostava de um amiga minha. E ela até demonstrava ter um certo carinho pelo rapaz. Até aí tudo bem, senão fosse o fato da mesma ter um namorado. Meu primo se desiludiu e foi a luta. Começou a namorar uma outra menina e a gostar muito dela. Quando estava tudo lindo, o namoro da minha amiga acaba. Tempos depois, o namoro do meu primo também chega ao fim, mas aí minha amiga já havia voltado com o namorado. Era incrível. Os dois tinham interesse um pelo outro, mas não chegavam a um acordo. Eles viviam num mundo onde o timing não existia.

Situação 2.
Uma outra amiga começou a ficar com um cara. Bonito, gente-boa, todos esses atributos iniciais. Porém, foram se afastando gradativamente e ele começou a namorar uma outra moça. Minha amiga ficou frustrada, mas resolveu esquecer. Mas ele não. Ligava insistentemente, não deixando minha amiga em paz. Ela, apaixonada, ás vezes cedia, mesmo sabendo que era errado. Os dois tinham uma ligação absurda.
Lendo essa história assim já criamos os típicos estereótipos desses casos. Mas o fato é que a tal amiga é a pessoa mais romântica, fiel e sem maldade que eu já conheci. Quase boba até. E o rapaz, apesar dessas atitudes, era um cara bacana e do bem. Mas como a maioria, era indeciso e complicado e do jeito que as coisas estavam era, de certa forma, um paraíso pra ele. Até que ela resolveu por fim a tudo isso. Foi difícil, mas eu, no papel de amiga e expectadora do show, falei que era o que tinha que ser feito. É o papel de amiga ser racional.

Situação 3.
Meu amigo tinha um namoro que já estava meio dodói. Desgastado, muitas brigas e coisa e tal. Até que ele conheceu uma menina e se interessou quase instantaneamente por ela. É daí que a gente percebe que o namoro já não vai bem. O problema foi que a menina também se interessou muito pelo rapaz e eles acabaram vivendo um affair, que na verdade era mais que isso. Tudo foi ficando muito intenso e ele estava decidido a por fim no namoro atual, o que ele iria fazer de qualquer maneira. Porém, ele viajou de férias e quando voltou a menina, a outra, anunciou que ia morar em outra cidade e que já estava com uma outra pessoa.

Agora, uma situação 4.
Lá pela minha quinta, sexta série, eu vivia vendo um menino que era duas séries acima da minha. Ele era longe do tipo de menino que chamava atenção, mas chamava a minha, de alguma forma.
Eu o via em todo o canto do colégio e apesar de ser amiga dos primos e até dos irmãos dele, nunca nos conhecemos.
Muitos anos depois, coincidentemente, fiquei amiga dos amigos dele. Era uma turma muito bacana e inevitavelmente acabamos, finalmente, nos conhecendo. Eu o reconheci logo de cara.
Conversamos muito. Ficamos surpresos com as coincidências que nos norteavam e o quão absurdo era não termos nos conhecido antes.
Horas depois, ambos confessaram que um já conhecia o outro. Surpresa dupla. Ele lá e eu aqui. Falamos tudo o que já sabíamos um do outro e começamos a rir. Instantâneo. Porém a situação era a seguinte: ele tinha uma namorada e eu estava preste a trocar meu ddd pra 011. Obrigada Murphy, obrigada mundo do timing perfeito. Era tarde demais.
Ficamos naquela noite, como dois apaixonados querendo aproveitar o tempo todo que havíamos perdido, por culpa do destino, do acaso, não sei. Tinha que ser assim e alguém em algum lugar teria uma explicação pra isso.
A situação era ridícula. Tenho certeza que forças maiores riam da gente em algum lugar. Era difícil não fantasiar a uma altura daquelas, depois de tantos anos.
Logo eu, que era a primeira a condenar esses casos, foi muito difícil quando me encontrei na outra situação, que tanto critiquei. Talvez tudo, não tenha passado de mais uma grande lição.
E o que eu poderia cobrar se eu estava de mudança pra outra cidade? Ia tentar boicotar o namoro? Nada fazia muito sentido com meu avião partindo. A única coisa que eu podia fazer era me recolher e levar como uma boa lembrança do que deveria ter acontecido há muito tempo. E foi o que fiz. Ser a outra não era o meu perfil e nem precisou dizer, porque ele já sabia disso.
Tudo foi uma noite. Uma noite não esperada, de conversas e carinhos, nada mais. Porém, valeu todo o tempo esperado.
O que a gente sabe do futuro e do que nos espera pela frente? A única certeza que sabemos é aquele velho clichê das voltas que o mundo dá e que as pessoas aparecem uma, duas, três, um milhão de vezes pelas nossas vidas por alguma razão, talvez. Um dia, quem sabe, a gente descobre o porque.

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A casinha do telhado.

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De todas as minhas estranhezas quando criança, gostar de futebol foi uma das que encabeçavam essa lista. Sou de uma família onde meu avô era um típico e doente fanático pelo Paysandú. Lembro que no casarão que eles moravam na Almirante Barroso (onde hoje em dia é uma Renault, tal proporção do terreno) todos os objetos eram listrados em azul e branco ou verde e vermelho (meu avô também tinha essa doença pelo Fluminense, afinal, ninguém podia ser perfeito).
Lembro que devia ter uns oito anos quando meu avô obrigou a família se mudar de lá pra uma casa, visivelmente menor, na Curuzú. Quando criança e menina você não é obrigada a entender o motivo de certas coisas.
Na casa nova, meu avô fez o quarto Paysandú. Eu e meus primos, todos na mesma faixa de idade, entrávamos lá escondidos, é claro, num súbito deslize do meu avô em deixar a chave bobeando por aí. Quando criança, falar que algum lugar é proibida a entrada é praticamente assinar nosso passaporte de ida. E claro que quem encabeçava essas sagas aventurescas e proibidas era eu. Destemida, corajosa e sem a mínima noção de porra nenhuma.
O quarto era praticamente um santuário. Recortes raros e antigos de jornais. Flâmulas, pratos de parede, bandeiras de todos os anos e tons azuis-celeste. Era mágico. Quando criança, não sabia que havia outro time além do Paysandú da Curuzú.
Nessa casa, meu avô, um ex-jogador de futebol, criou uma casinha no telhado. Subíamos uma escada de caracol de ferro e meio bamba por um vão do 2º andar. Quando criança, aquilo era uma diversão, mas hoje em dia eu não me imagino subindo uma escada bamba a muitos metros de altura e abaixo apenas o cimento da arquibancada do estádio da Curuzú.
Lembro que assistíamos a todos os jogos ali, de camarote, de graça, em cadeiras confortáveis e com toda a família. Menos o meu pai, é claro. Lembro sempre de ver lá de cima meu pai, no vão da porta que dava pra escada, fumando e agourando o Paysandú. Só fui entender anos depois. Papai era remista.
Assistir ao Paysandú era uma diversão e quando ele perdia, chorávamos como se entendêssemos o que futebol significava pra todas aquelas pessoas ali e principalmente pro meu avô. Quando ganhava, era certeza que quando descêssemos ia ter refrigerante, pipoca e bolo quentinho feito pela vovó. Mas quando perdia, meu avô não falava nada, juntava as cadeiras, pegava o radinho velho de mão e se limitava em dizer: – Cuidado na descida.
Os anos passaram, meu avô voltou pra casa da Almirante Barroso e paramos de ver os jogos de graça. Até hoje, ir pro estádio não tem a mesma graça do que na casinha em cima do telhado. E também não tem pipoca e baré. Mas pelo menos, já entendo o que é um impedimento.
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2009 chegou e ainda sinto um cheirinho de 2008. 2008 foi um ano tão bom e sinto que 2009 ainda vai superar. Ano de mudanças e surpresas. Certeza. :)
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Vocês já leram o blog do Cafa? Foi indicado pela namorada do meu primo e saiu na revista Época. O Manual do cafajeste para mulheres conta as aventuras sexuais ou não de um jovem publicitário paulista de 25 anos. O blog, super bem escrito, tem histórias e algumas dicas bem pertinentes. Ele relata sem eiras nem beiras o que pensam os verdadeiros cafajestes do nosso Brasil. Afinal, todas nós conhecemos um, da escala de 1 a 10. Vale conferir.

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